Quinta, 18 Agosto 2016 00:00

Cinco fazendeiros estão presos por ataque armado contra índios em junho

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Cinco fazendeiros foram presos na manhã desta quinta-feira (18) em Caarapó, a 283 km de Campo Grande, acusados pelo ataque armado contra índios que invadiram a fazenda Yvu, no dia 14 de junho deste ano. Os mandados de prisão preventiva determinados pela Justiça Federal em Dourados a pedido do MPF (Ministério Público Federal) foram cumpridos pela Polícia Federal.

De acordo com a assessoria do MPF, a prisão dos ruralistas faz parte da força-tarefa “Avá Guarani”, desencadeada para investigar o ataque armado que resultou em seis índios feridos a tiros e na morte do agente de saúde indígena Clodioude Aquileu Rodrigues de Souza, 26, alvejado por dois disparos na barriga e no peito.

Os mandados foram cumpridos por agentes da Polícia Federal em Dourados, Campo Grande, Caarapó e Laguna Carapã, onde também foram feitas buscas e apreensões.

“De acordo com as investigações, os fazendeiros teriam envolvimento direto com o ataque e podem incorrer nos crimes de formação de milícia privada, homicídio, lesão corporal, constrangimento ilegal e dano qualificado”, afirma a assessoria do MPF.

Para o Ministério Público Federal, as prisões visam garantir a ordem pública e objetiva evitar novos casos de violência às comunidades indígenas da região – “que já sofreram novo ataque, em 11 de julho, o qual deixou outros três índios feridos, dois deles, adolescentes”.

MPF reclama de demora – De acordo com o MPF, as investigações da força-tarefa começaram logo após a morte de Clodioude de Souza. No dia 5 de julho a Justiça Federal em Dourados expediu os mandados de prisão, que por mais de 40 dias aguardaram o cumprimento pela Polícia Federal.

Para os integrantes da força-tarefa Avá Guarani, a demora no cumprimento da ordem judicial é reflexo da “falta de priorização” da questão indígena pelo Executivo em todo o país.

“Apesar da morte de um índio e da lesão de outros nove, foi necessário aguardar 44 dias para que os responsáveis pela violência fossem presos. Se não houvesse essa demora injustificada, ao menos seria possível evitar o segundo ataque à comunidade, que feriu três indígenas”, afirma nota do MPF.

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